Versejos.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

Breve constatação.

Quieta e pensante conjecturei: - Puxa vida! Sou contradição. E sem protrair em mais hiatos aquele instante de descoberta angustiante, num ato voraz, rasguei minha consciência e chorei. Chorar e contradizer-se me fez bem. Ofertou-me a incrível sensação de que: É. Ainda sou humana. 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sem título.

  
Tarde louca de domingo
Costura torta de palavras
Desassossego atroz.                                                                                                    
Tarde triste de domingo
Cigarro aceso
Ebriedade eclipsar.         
Tarde atípica de domingo
Fuga de versos
Reinante (dês) inspiração.                                                                                       
Tarde sóbria de domingo
Escrita em retalhos
Doses quentes de café.
Tarde infame de domingo
Devaneios ocos
Súplica versejal.    
Tarde finda de domingo
Linhas parcas e um aclamar:
- Vem poesia, só tu podes me salvar!                                                                                    
                                                                                         

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os olhos de Mamãe.

Mamãe me olhou com serenidade e quietude. Seus olhos seduzem, pacificam. Ah, os olhos verdes de mamãe! Sabem bem como conversar intimamente comigo. Sorri contida em agradecimento a ternura que me entregava toda vez que direcionava aquele olhar silente até mim. Nada nos dissemos, embora houvesse compreensão. Delirei com aquela marcha de amor, com aquele valsar de afeto bordado em seus olhos, sempre confessando uma verdade cada vez mais vulgar, mas ainda alucinante. Um silêncio cadenciado ao meio de tudo. Ritual de contumaz airosidade. Ela rasgou audaz a quietude daquele instante e entre o silêncio de mamãe e o meu silêncio, fora tecido um singelo e sonoro, - eu te amo. Embora gentis, pouco me importavam às palavras. Seus olhos já devassavam tudo. Como almejei apropriar-se daquele olhar: tão luz, tão cândido, tão vida. Era um desejo pouco tragável. Tudo bem. O olhar é dela e o fascínio é meu, que seja então. Contento-me. Habitualmente é assim: Um encontro, seu verde olhar tênue e cintilante a me fitar e a ânsia pela vida se apoderando de mim.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Um acenar singelo.

Sempre nutri um fascínio especial pelas palavras. Gosto do delírio que elas me ocasionam. Desde muito pequenina sentia necessidade de bordar versos ou coisas assim. Tear palavras é um dos meus maiores deslumbres pessoais. É forma de vivificação cotidiana. Escrevo faminta e despudora. Sem parcimônia. Urgente. Agônica. O problema é que sempre carreguei comigo a intimidação de desnudar-se ao outro e o receio de explicitar minha escrita a estranhos. Hoje amanheci mais viva e pulsante. Bem mais audaz e impetuosa. Razão maior de estar aqui. Sepultei meu medo comezinho e escroto e cá estou a fazer minha primeira postagem virtual. Confesso não ser uma grande escritora. Produzo coisas sóbrias, de beleza escassa e tacanha. Isso é o que menos importa, creio eu. Meu intento maior com a criação do blog é fazer estancar minha maldade com as palavras. Não posso mais aprisioná-las tanto. Quanto a experiência de ter um blog, espero poder vê-lo sobreviver ao tempo. É, espero.