Versejos.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os olhos de Mamãe.

Mamãe me olhou com serenidade e quietude. Seus olhos seduzem, pacificam. Ah, os olhos verdes de mamãe! Sabem bem como conversar intimamente comigo. Sorri contida em agradecimento a ternura que me entregava toda vez que direcionava aquele olhar silente até mim. Nada nos dissemos, embora houvesse compreensão. Delirei com aquela marcha de amor, com aquele valsar de afeto bordado em seus olhos, sempre confessando uma verdade cada vez mais vulgar, mas ainda alucinante. Um silêncio cadenciado ao meio de tudo. Ritual de contumaz airosidade. Ela rasgou audaz a quietude daquele instante e entre o silêncio de mamãe e o meu silêncio, fora tecido um singelo e sonoro, - eu te amo. Embora gentis, pouco me importavam às palavras. Seus olhos já devassavam tudo. Como almejei apropriar-se daquele olhar: tão luz, tão cândido, tão vida. Era um desejo pouco tragável. Tudo bem. O olhar é dela e o fascínio é meu, que seja então. Contento-me. Habitualmente é assim: Um encontro, seu verde olhar tênue e cintilante a me fitar e a ânsia pela vida se apoderando de mim.

2 comentários:

  1. concerteza, volto e sigo para que escrevas sempre!! :D

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  2. Ainda continua tão cativante e delirante tua escrita, Áquila. Sigo-te também, moça. Estava com saudades de seus velhos versejos cotidianos. Agora, em blog, Carla.

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