Versejos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A menina e os livros.

Ana era o seu nome. Ana tinha atração pelos livros. Era uma eterna amante das palavras. Seu íntimo era de uma mudez arcana. Ana era silêncio calado. Ana sempre quis pouco: Ela, o silêncio e as palavras. Ana tinha um modo singular de comer livros. Era inteiramente faminta. Ao sugar a essência do que é escrito, o fazia em total ferocidade, em soberbo enlevo, em triunfal delírio. Os livros lhe eram fonte de onde germinava vida. Ana amava suplicante e submissa os verbos. Ana amava, impetuosa e ardente, os vocábulos dispersos no papel. Ana amava a forma como os versos chegavam até si. Num sentir dualíssimo, os livros lhe eram: Mimo e pungência. Sonho e tragédia. Encontro e saudade. E no vasto e silabado universo de menina e livros, via-se com lucidez: o toque castíssimo de mãos e papeis, a fome voraz por palavras e verbos e o despudor de dois amantes: vivos, astutos, contentes.

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