Versejos.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sobre amor ou alguma outra coisa.


Certa vez os olhos diáfanos de um homem buscaram a proximidade nos olhos cintilantes de uma mulher. Ambos se quiseram com volúpia e desespero. Ambos se pediam famintos e urgentes. Comiam-se com os olhos. Rogavam-se com ímpeto. Renderam-se ao amor. Clementes. Necessitados. Hipnóticos. Obedientes. Era amor com balbúrdia. Amor com desordem. Embalaram-se no frenesi da paixão. E juntos, faziam-se delírios e arroubos e ardências e veemências e despudores. Ele oferecia-lhe orquídeas e serenatas de amor. Ela oferecia-lhe a alma, o corpo, a vida. Ambos preenchiam suas ausências sem encabulamento, sem intimidação. Ele, homem sóbrio e de apego as tradições, quis fazê-la sua convidando-a as solenidades de um romance. Ela fez-se entregue a tão arrebatado sentir. Fizeram as juras formais do para todo o  sempre. E devanearam. Devanearam com as intermináveis cálidas noites de afeto, com a triunfal e infinda existência do amor. E sorriam. Sorriam entusiasmados, com desejo, com gratidão. Viveram por muito tempo regados a fartura e abundância. Só que um dia a ausência do amor os partiu... Partiu dilacerando aquilo que um dia conjecturaram ser eterno.                                                                                  

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