Versejos.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sobre ser livre.


Ela tinha acordado disposta ao tudo. Ausente daquela sua dolência habitual. Sentiu a vida pulsar. Percebeu que sim: Fora parida para algum tipo de propensão. 

Levantou sem carregar o peso da sua animosidade cotidiana, tomou uns goles de café e seguiu calma até a modesta janela do seu hóspede e acanhado cômodo. Ela gostava da vida que se derramava fora da sua alcova particular: Enérgica. Vibrante.

A sonoridade assombrosa daquelas ruas balburdiosas e cheias se apresentavam como músicas aos seus ouvidos. Estava dispersa e distante. A fazer as mais loucas e eufóricas das confabulações. Sentia-se atraída pelo tudo que o ocasionar mostrava-se ser.

Encarava atenta, com aqueles seus olhos tépidos, a vida correndo lá fora. Ao modo mais audaz e profano se predispôs a solfejar versos de libertinas canções que o tempo lhe fizera serem sabidas: Temerárias. Incitantes.


Impetuosa não se impôs limites. Em hiato pontual e curto quis fazer-se plena. Salta trôpega do vigésimo terceiro andar: aquiescendo com a loucura, bradando liberdade, suplicando redenção.    

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