Versejos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Inquirições.

Quem és tu que arranca o filho do ventre da mãe para oprimi-lo e depois matar?
És o algoz? O carrasco sorrateiro que alimenta depois come?
Quem és tu que abafa o pranto, proíbe o gemido, mas não cura a dor?
És um homem? Um monstro? Um Deus?
Por que quer nos despir? Por que quer nossas vestes?
Quando te escondes nesse disfarce de herói, engana a poucos.
Tu me criaste, mas não permite que eu te toque
Não te vejo, mas te sinto no meio da multidão
Na cobertura dos hotéis de luxo acobertando a promiscuidade dos teus súditos ladrões
Sinto até embaixo do meu chapéu de couro exigindo contribuições
Dizem que tu és liberdade, mas só vejo imposição.
Tu me amedrontas com tuas regras, teus impostos, tuas prisões
Ouvi falar que tu és nobre e preza pela igualdade
Mas não entendo essa situação, pois o índio tem cacique e o branco tem patrão
Apesar de ser dito filho teu desconheço os teus palácios
Usas roupas de couro, ou és mais um desses homens de terno?
Já chegaram a dizer que em teu âmago és fraterno.
Diga-me, por favor, és senhor da terra ou do inferno?

*Áquila Almeida e Edmar Oliveira.