Versejos.

domingo, 10 de novembro de 2013

Uauá: Na contramão do Interesse Público.

Muito tenho me questionado a respeito das 'coisas' - absurdas aos olhos de qualquer um - que vem acontecendo de forma reiterada e constante no nosso município, e pelas circunstâncias - muito ruins por sinal - me pego inquieta sem saber a quem o prefeito tem representado verdadeiramente, se os meus, os seus, os nossos interesses - afinal é para isso que são eleitos os mandatários do poder - ou se tem representado, com rigorosos cuidados, aos interesses e caprichos de um 'seleto grupo de pessoas' vinculadas ao poder. Para que entendam meus questionamentos, me aterei objetivamente aos fatos. São dois. Um já acontecido e o outro a iminência de acontecer. 

No mês de junho o atual alcaide decidiu ceder o nosso estádio municipal para a realização de um evento particular que ocorreria na cidade. Importante que se diga, que todos os bens públicos são passíveis de uso por particulares, desde que, por óbvio, a Administração 'consinta' com a sua utilização, além disso que esta seja feita de modo a não levar o 'bem' a sua inutilização ou destruição e por fim, que o ato do gestor 'em conceder esse uso' não deixe de atender àquela que é a finalidade de qualquer Administração, o interesse público. E aqui é importante que eu me detenha a uma rápida explicação. 


Como disse, os atos praticados pela Administração Pública possuem um fim precípuo, basilar, imediato, que é o Interesse Público, um interesse do qual se pode dizer que é alheio ao administrador, é um interesse que pertence a coletividade, de forma irrestrita, geral. Esse mesmo interesse público exerce uma função de supremacia e higidez dentro da Administração, é o seu sustentáculo, o seu fundamento, daí porque o administrador deve-lhe estrita observância e respeito, não podendo pois, sob quaisquer circunstâncias, afastar-se dele. 

O prefeito, enquanto administrador, deve zelar pela preservação desse interesse público, gerindo o município finalisticamente, materializando e concretizando aquilo que está posto na Constituição. Por isso, jamais poderá dar-se a veleidade de descurá-lo sob a pretensão de render-se a pretensões particulares, indiferentes e por muitas vezes contrárias à ele.


Na nossa cidade, infelizmente, o atual gestor tem desconsiderado a essas 'lições', pois que assentiu, - e não importa se formalizaram um contrato para tanto, aliás essa justificativa é muito incômoda - que um particular fizesse o uso indevido do patrimônio público, destruindo-o, inutilizando-o.


Ora, com contrato ou sem contrato, a natureza jurídica do estádio não muda: trata-se de bem público que não pode ser explorado livremente pela iniciativa privada para atender - apenas e tão somente - a seus interesses econômicos e comerciais. 
É inadmissível o administrador municipal ter autorizado que um empresário em seu exclusivo interesse privado se utilizasse de um espaço público em detrimento das demais pessoas. 

Não podemos deixar, à pretextos de interesses egoísticos meramente comerciais, que um bem público seja explorado em prejuízo da coletividade, principalmente quando, para atender desvirtuadamente a um fim particular, deixou-se que esse 'bem' fosse completamente destruído. Que tipo de bom administrador - almejavelmente querido - consente com uma coisa dessas? 

Pior é que quando leio aos subterfúgios trazidos para justificar algo, por si só, injustificável, me pego surpreendida. Segundo o que dizem, o particular - ora muito bem beneficiado com a empreitada - assumiu o compromisso de reparar os dados ocasionados com a utilização do estádio. Mas se estes danos já eram previamente sabidos, porque se autorizou? E outra, é óbvio e ululante que quem causa um dano tem o dever indissociável de repará-lo. Isso é consequente lógico, é mera obviedade, não é necessário anterior estipulação para vigorar depois do estrago feito. 


Mas isso não importou para a administração. Tanto o é - não se sabe se por afronta - que dessa vez resolveram colocar a nossa praça pública a serviço dos mesmos interesses particulares, econômicos e comerciais. E agora, quais serão as razões invocadas? Elas não me importam, me importa saber se mais uma vez nos renderemos míopes e moucos, e mesmo vendo interesses que pertencem a toda coletividade sendo violados, lesionados, sacrificados, não faremos nada. 


Precisamos nos organizar para defender nossos direitos. Não podemos ficar inertes diante das ações de pessoas que exploram indevidamente a nossa cidade, assim como diante de administradores públicos que não zelam pelo bem que pertence a todos.

sábado, 26 de outubro de 2013

Sobre a inércia de quem silencia ante aquilo que choca.



Era uma tarde de sexta-feira quando ecoou pela ruas da cidade a notícia sobre um suposto estupro que teve como vítima uma pequena garotinha de seus tão poucos e tenros sete anos. Após tomar ciência dos fatos, não pude deixar de me render ao espanto estarrecente, tamanha a bestialidade, tamanha a crueldade, tamanha a covardia. Deveras ainda me surpreendem as cruezas e vilidades costumeiras do mundo. 

Paro. Emudeço. Estilhaço em espasmos doídos e intermitentes. Naufrago em cólera. Angústia. Raiva. Indignação. Quão torturante é conjecturar sobre os fatos e sua sucedência. Quão torturante é imaginar a nossa pequena e imaculada vítima sendo submetida aos degradantes atos do seu suposto algoz com toda sua volúpia e seu despudor e sua asquerosidade e sua covardia e sua sanha necessidade de satisfazer aos seus mais bestiais instintos sexuais. A ele, suponho, nada importava, nem mesmo a pouca idade da vítima e sua meninice e sua fragilidade e sua candura. Nada. Meu Deus!
 
Só de em nisso pensar todo o meu corpo se punge. E choro. Choro de manso e por dentro. Choro a dor da menina. E não dela apenas. Choro as dores de todas as outras que também foram vítimas de igual covardia. Choro por todas as que tiveram s uas infâncias roubadas. Por todas as que tiveram seus corpos infantes violados. Por todas as que retraídas e impingidas de medo sequer conseguem balbuciar seus soluços de dor. Choro por todas as que tiveram suas almas mutiladas. Choro seus dramas e traumas. Choro também nossa omissão. Nossa indiferença. Choro a nossa incapacidade de irresignar-se ante o que nos choca e o que nos horroriza. Choro a ausência da indignação coletiva ante o caso. Choro o falso isentismos dos que escolhem ao seu bom alvedrio o que deve ou não virar notícia. Choro o nosso silêncio estatelante e seus intermináveis ecos. Choro a mudez de nossa voz.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Um pouco sobre política.

A política sempre me fascinou em sentidos muito especiais. Não essa política míope, vendida, fanática e mesquinha que vejo ser praticada por aí (o exemplo nos é bem próximo!). Esta, muito pelo contrário, tem todo o meu desprezo porque uma subversão inautêntica da política legítima e de verdade que eu ouso e insisto em acreditar.E essa crença é mais que mero arroubo ou entusiasmo, é uma crença ideológica mesmo. 

As pessoas dizem que sou uma boba ‘romântica’ por isso, e devo concordar, pois que sou mesmo, sou uma verdadeira ‘romântica’ incurável, não há como negar. Valendo-me desse meu 'romantismo', ingênuo que seja, gostaria de pedir aos céticos e aos desconfiados, apesar de encontrarem muitas razões para desacreditarem na política, por favor, não desvaneçam. Não se rendam jamais ao conformismo, não se façam apáticos ou indiferentes ao que acontece no universo da 'vida pública'. 

Pensem que é através da política, exercida a modo sério, responsável e consciente, que poderemos transformar o 'estar das coisas'. Dizia o Lula num artigo inspiradíssimo e deveras sapiente, escrito para o New York Times que "ainda que você perca a esperança em tudo e em todos, não dê as costas à Política. Participe! Se você não encontrar nos outros o político que você procura, você pode encontrá-lo ou encontrá-la em você mesmo”.

Pois que sim, estejamos prontos então a ser o 'cidadão virtuoso' de que falava Aristóteles, carregando conosco sempre a aspiração de participar da vida política da nossa Polis, porque o homem é por natureza um animal cívico, não há como fugir. Comecemos a praticar.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Perota Chingó - La Complicidad.

O tipo de música que quando a gente escuta parece que a alma sai fora do corpo e segue flutuando por paragens outras sem querer saber de voltar. Leve, terna e puro encanto. 



Marcelo Janeci - A gente é feito pra acabar.

A música é realmente coisa de Deus. São quase oito minutos de puro esplendor musical. 



Geni e o Zepelim por Letícia Sabatela.

Uma interpretação primorosa a uma canção que é puro primor, quase tautológico isso aqui. Trágica, dramática, teatral, transcendente! Sabatela me fez render-se a suspiros e arrepios. Impossível não se emocionar.





Uma opinião.

Parece que os nossos ativistazinhos virtuais da moda encontram nesse episódio sobre o "falso" fim do Bolsa Família a oportunidade para mais uma vez lançarem mão de suas teses anacronistas sobre os programas de distribuição de renda do governo federal. Seguindo o discurso dos arautos da grande mídia eles repetem com ares de indignação o blá blá blá de sempre, é a redundância das mesmas ideias: o de que essas esmolas do governo são uma piada, que o governo deveria investir mais em educação, que isso tudo não passa de manobra eleitoreira para conquistar voto, que o governo ao invés de dar o peixe deveria ensinar o povo a pescar e por aí vai. 
O que todos esses revolucionários da internet deveriam saber, mas não sabem porque estão preocupados demais em demonizar os pobres e governo que os ampara, é que esses programas de distribuição de renda geram um impacto dinamizador na nossa economia, que as "esmolinhas" do governo, como eles chamam, tirou 40 milhões de brasileiros da linha da pobreza, que esses programas incluem social e economicamente aqueles que foram vítimas de um sistema desigual, perverso e separatista que sempre serviu para satisfazer os interesses das elites e da oligarquias.
Essas pessoas " de fino trato" que criticam com tanta veemência as políticas sociais do governo e o bolsa família, fazem isso porque consideram absurdo estarem transferindo "migalhas" para os que vivem na miséria. Para eles o Estado não pode ser mãe para o pobre, mas como diz o Vladimir Safatle, "nunca reclamam quando o Estado é mãe para eles".
O Bolsa Família tem sido elogiado por líderes internacionais, inclusive nesses últimos dias a diretora do FMI saudou nosso país pelos seus êxitos econômicos e chamou o Bolsa Família de "modelo para o mundo".
Graças as políticas de inserção social do governo Lula/Dilma o Brasil conseguiu virar uma página decisiva de sua história, e o Brasil que antes era casa de alguns poucos, hoje é casa de TODOS nós.

sábado, 1 de junho de 2013

Lembranças e saudade.

Vez ou outra ofereço-me entregue a fugas repentinas e a intermináveis devaneios; revisito minhas memórias e as primeiras e mais gratas lembranças que me acolhem dizem dos bons velhos tempo da minha época do colegial. Talvez essa tenha sido a época mais incrível da minha vida; talvez não, certamente que sim. Era um tempo outro, tão farto em ingenuidades, travessuras, candura e tantas besteiras. Sempre que volto ao tempo de agora chego cheia de saudades e com um aperto enorme no peito. Meus olhos lagrimam náufragos e eu simplesmente emudeço. A nostalgia me dói de um jeito que não sei como explicar, mas jamais, jamais me furto a essas lembranças, pois que gosto do que elas me devassam, do que elas me confessam, do que elas me dizem e desdizem. Regojiza-me os sentidos vê-las remanescerem assim: intactas em mim.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Uma boba confissão sobre a 'vagaluminosa' e tão minha: Uauá.

Hoje releguei alguns dos meus muitos afazeres para enfim assistir ao documentário sobre Uauá dirigido pelo sensível Roberto Dantas. Hoje meus olhos naufragaram em lágrimas. Não eram lágrimas tristes. 
Minhas lágrimas tinham um sentido outro: Eram de orgulho, de comoção.
Hoje me redescobri uma nova Uauaense. Parece que passei a amar ainda mais a minha gente e o meu chão. E olhe que o meu amor nunca foi pequeno. Mas agora... parece que superabundou!
Ah, Uauá! Terra de mil e tantos encantos. Tão lírica, tão vasta, tão fértil, tão arte, tão vida!
Como foi incrivelmente bom ouvir as confissões poéticas de Gildemar Sena e seu amor pela arte;
Ouvir a voz macia de Renan Mendes a cantar 'O berro das Pedras de Uauá' acompanhado pelo movimento leniente e manso da sua sanfona;
Ouvir a sonoridade da já eternizada voz de Cláudio Barris e do velho poeta Cavachão evidenciando todo o seu sentimento por esse pedaço iluminado de chão;
Ouvir os fragmentos reminiscentes da nossa história contadas pelo admirável Coronel Jerônimo;
Ouvir o habilidoso Raphael tanger as cordas do seu violão com a maestria 'herdada' do seu avô, num solo belíssimo e triste que me acometeu de tanta nostalgia!
Aqui, rememorei saudosista de quando eu corria até a casa de Dona Lurdinha para pedir a Seu Ademar que afinasse um violão velho que eu havia herdado da minha tia e ele me era sempre tão acolhedor! Afinava o violão e ainda dedilhava uma coisa ou outra... eu saia de lá boba, boba e contente. Carregando comigo os sonhos de um dia aprender a tocar 'feito gente grande'. E esse sonho ainda me mora. Um dia hei de aprender... ah, vou!
Chorei escutando as palavras generosas de eterna gratidão tecidas por Lulu e Débora ao saudoso Ademar, e chorei mais ainda quando a música de poética magistral começou a ser interpretada. Nunca vi Lulu cantar fazendo-se tão entregue, cantou derramando a alma na voz. Meu Deus! Um esplendor sentimental!
'Me' peguei acometida por sentires inomináveis ao escutar o som doce e choroso da flauta de Thiaguinho tocando o lamento sertanejo.
Nossa terra é de uma grandeza indizível!
No meio à aridez e vastidão séquida desse chão encontramos homens artistas, homens sertanejos, bravios guerreiros que jamais sucumbem diante das labutas de uma vida severina, mas sorriem e inventam arte.
Que orgulho poder bradar meu amor por essa terra, que orgulho poder ser filha desse chão.
Salve Uauá! Salve essa iluminada terra de pirilampos e vagalumes! Salve!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Desalento.


Os rios silenciam
Náufragos em dor
Nessa terra de solos inférteis
A semente já não é mais flor.
As árvores e seus galhos nus
Valseiam tristes ao vento
Lá na mata o matiz já se foi
Lá na ponte rebentaram o cais
E em mim 'sobra tanta falta'!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Um conto bobo e tal.


O ano era 2012 quando uma estrela resolveu abrigar-se nos ares do lindo céu de um município de diminutas proporções no sertão baiano. Os propósitos da cintilante estrela era o de abrilhantar a cidadezinha baiana e toda a sua gente, bem como trazer esperanças de dias mais claros, de dias de luz.

A estrela foi recepcionada com entusiasmos pelos olhares esperançosos daqueles que amavam a terra e que queriam no futuro serem conduzidos por aquele astro de luz.

Aos desejosos de uma terra estagnada e de vivências futuras em sombras o estar da estrela no céu não lhes agradou os olhos. Queriam a qualquer custo ofuscar-lhe o brilho. 

A estrela não se intimidou muito. Atreveu-se, pois, a instalar-se naquele céu e a fazer resplandecer todo o seu ínsito fulgor. Seus intentos restaram feitos.  A grandiosidade da luz que imanava irradiou a muitos. Alguns dos que a rejeitaram de início não puderam resistir a beleza luminosa dos seus bons propósitos. Passaram a admirá-la também.

Os que com ela se incomodavam passaram a comportar-se a modo odioso. Começaram a disseminar fofocas e boatos sobre a estrela e seus seguidores. O engraçado é que quanto mais fabricavam histórias mais brilho a estrela conseguia. Era a mágica que medrava a acontecer todos os dias naquela pequena e pacata cidade. Todo mundo quedava-se impressionado com aquele espetáculo.

Certa vez brincaram de dizer que a estrela era principiante e nova demais para resplandecer tanto. Bobos que são, estrela só por ser estrela já sabe bem como brilhar grande, e vasto, e bonito. 

Já numa outra oportunidade invetaram o sequestro do ingênuo cidadão da bicicleta. Cidadão da bicicleta, caro leitor, é o nome de uma pessoa de bem sem muitas malícias e que não é contaminado pelas artimanhas de uma política suja, mas que deixou-se influenciar pela conversa dos que só sabem venerar as inverdades. A estória era tão cheia de "furos" que sequer deu-se o trabalho de render prosperar. O teatro dos incomodados mais uma vez falhou.   

Chegaram a lançar mão de algumas tantas artimanhas para escamotearem seus verdadeiros propósitos: destruir a imagem da estrela. Mas não conseguiram. Jamais conseguirão!

Quando algum deles voltar a dizer por aí que a estrela e seus seguidores são só derrotados chorosos, não acreditem caros leitores. A estrela continua a brilhar e a perseguir os seus propósitos tal qual os cometas que seguem firmes na sua trajetória. E um dia, a estrela viajante que o céu já tem, há sim de encontrar o seu porto seguro ao lado do povo, ao lado de todos que anseiam pela luz da transformação.