Versejos.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Uma boba confissão sobre a 'vagaluminosa' e tão minha: Uauá.

Hoje releguei alguns dos meus muitos afazeres para enfim assistir ao documentário sobre Uauá dirigido pelo sensível Roberto Dantas. Hoje meus olhos naufragaram em lágrimas. Não eram lágrimas tristes. 
Minhas lágrimas tinham um sentido outro: Eram de orgulho, de comoção.
Hoje me redescobri uma nova Uauaense. Parece que passei a amar ainda mais a minha gente e o meu chão. E olhe que o meu amor nunca foi pequeno. Mas agora... parece que superabundou!
Ah, Uauá! Terra de mil e tantos encantos. Tão lírica, tão vasta, tão fértil, tão arte, tão vida!
Como foi incrivelmente bom ouvir as confissões poéticas de Gildemar Sena e seu amor pela arte;
Ouvir a voz macia de Renan Mendes a cantar 'O berro das Pedras de Uauá' acompanhado pelo movimento leniente e manso da sua sanfona;
Ouvir a sonoridade da já eternizada voz de Cláudio Barris e do velho poeta Cavachão evidenciando todo o seu sentimento por esse pedaço iluminado de chão;
Ouvir os fragmentos reminiscentes da nossa história contadas pelo admirável Coronel Jerônimo;
Ouvir o habilidoso Raphael tanger as cordas do seu violão com a maestria 'herdada' do seu avô, num solo belíssimo e triste que me acometeu de tanta nostalgia!
Aqui, rememorei saudosista de quando eu corria até a casa de Dona Lurdinha para pedir a Seu Ademar que afinasse um violão velho que eu havia herdado da minha tia e ele me era sempre tão acolhedor! Afinava o violão e ainda dedilhava uma coisa ou outra... eu saia de lá boba, boba e contente. Carregando comigo os sonhos de um dia aprender a tocar 'feito gente grande'. E esse sonho ainda me mora. Um dia hei de aprender... ah, vou!
Chorei escutando as palavras generosas de eterna gratidão tecidas por Lulu e Débora ao saudoso Ademar, e chorei mais ainda quando a música de poética magistral começou a ser interpretada. Nunca vi Lulu cantar fazendo-se tão entregue, cantou derramando a alma na voz. Meu Deus! Um esplendor sentimental!
'Me' peguei acometida por sentires inomináveis ao escutar o som doce e choroso da flauta de Thiaguinho tocando o lamento sertanejo.
Nossa terra é de uma grandeza indizível!
No meio à aridez e vastidão séquida desse chão encontramos homens artistas, homens sertanejos, bravios guerreiros que jamais sucumbem diante das labutas de uma vida severina, mas sorriem e inventam arte.
Que orgulho poder bradar meu amor por essa terra, que orgulho poder ser filha desse chão.
Salve Uauá! Salve essa iluminada terra de pirilampos e vagalumes! Salve!