Versejos.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sobre tempo, encontro, bobagens e nostalgia.



Esse desenho foi confeccionado pela marcelinda há uns quase oito anos atrás, quando ela ainda tinha seus tenros 14 anos de idade e eu também, num tempo em que desenhozinhos bobos como esse ai eram ótima prova de demonstração de afeto. Afeto que, mesmo costurado a longas distâncias, era recheado de sereníssima verdade. 

Eu conheci a Marcela lá pelo orkut, não sei precisar as circunstâncias. Sei que aquela época as coisas tinham uma razão de ser pra lá de mágicas. Mágicas porque conseguíamos transformar estranhos desconhecidos em amigos eternos em dois dias de conversa. No quarto dia já existia amor latejando no peito. Amor até transbordar! E eu hoje,  mulher já feita, nem me arriscaria a dizer que esse sentimento, por mais mais célere e necessitado que fosse, seria despido de verdade.

Naquele tempo fazia todo sentido do mundo amar assim. Vivíamos num tempo outro, sem malícias, farto em ingenuidades. No auge dos nossos mais cândidos 14 anos a gente só sabia realmente amar as luzes no outro. Amar talvez fosse o nosso verbo mais importante. Por isso o conjugávamos tão velozmente bem. 

Fiz questão de guardar essa obra de arte - presente da Marcela - para a posteridade. Uma lembrança que quis fazer minha em nome dos bons velhos tempos que vivi. De sete anos pra cá, eu e Marcela nos dispersamos por ai vida a fora. Nos desencontramos. Perdemos contato. Mas eu a tive sempre em mim, guardada nas lembranças. 

Ontem, um tanto quanto saudosa e entregue aos devaneios, recordei a menina com quem teci juras de amizade eterna. Diz o Eduardo Galeano, que recordar, que vem do latim re-cordis, é voltar a passar mais uma vez no coração. Então acho que a menina peralta sempre esteve passando pelo meu coração, assim o sendo, por mais que o factual diga do contrário, ela nunca se ausentou de mim. 

De forma bem despretenciosa descobri a mar-txelah no instagram, justamente quando, do outro lado, - sincronia boa essa - ela me fez igualmente lembrada. Nos esbarramos de novo, e dessa fez nosso colóquio foi bem menos  'insano'. Marcela menina também já feita virou cientista. Que orgulho, Valinhos! <3

Sei dizer que a madrugada de ontem ganhou um quê especial e me deixou tipo assim, acometida de saudadezinhas plurais, umas indizíveis até. Saudades de tudo o que já se foi, do que já me fui, do que já não me é.  Não nego que também fiquei feliz, não apenas pelo reencontro, repleto de tremendas coincidências, mas por olhar o agora e ver a pessoa em que me transformei, em que nos transformamos, Marcela. 

Obrigada por ainda ontem, passados tantos anos, tu ter me acolhido com o mesmo entusiasmo infante de outrora.

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